Nós - os pequenos - que eles não veem
- O Boqueirão Online
- 17 de mai. de 2020
- 2 min de leitura

Por Adeli Sell*
Na atualidade as MEI, as micro e pequenas empresas são a ampla maioria.
Os escritórios de advocacia - individuais ou de dois ou três associados - são também maioria.
A maior parte das empresas de gastronomia são de pequenos, só para citar um segmento.
Grandes empresas são poucas, assim como os bancos são pouquíssimos.
Havia um tempo que só no Rio Grande do Sul haviam mais bancos do que todos os que temos hoje em dia no Brasil.
No passado, as empresas tinham dono e, regra geral, era alguém conhecido.
A. J. Renner era o capitão das indústrias e aqui todos o conheciam. Mas quem é dono da Renner agora?
No Rio Grande do Sul foram construídas entidades fortes, tanto no setor empresarial quanto laboral.
E a pergunta que não quer calar: como andam nossas instituições?
Elas representam a todos?
Não. Nunca foram entidades globalizadoras.
Porém, com o passar do tempo, estas representações foram se atrofiando, diminuindo seu peso político-institucional.
Já desde as famigeradas jornadas de junho de 2013, ampliadas com o golpe contra a presidenta eleita, as direções de muitas entidades foram se distanciando do dia a dia de seus representados, para se juntarem aos setores políticos conservadores, dando combustível a ações destrutivas destes segmentos que levaram ao Planalto um governo que, a cada dia, avança em suas posições fascistas, apesar das ultimas desavenças no seu QG.
No momento em que escrevo - véspera do Dia das Mães e do inimaginável número de 10 mil mortes pela Covid 19 [hoje já superam 15 mil!] - este governo tresloucado planejava uma churrascada.
Não bastasse isso, os chefes dessas entidades [patronais] pouco fizeram para escorar e dar suporte a seus representados.
Os já pouco focados pequenos [contiuavam ignorados]; falava-se de shopping centers, sem uma palavra para os milhares de MEIs, micro e pequenos empresários.
Diante deste quadro, coloca-se a urgência de re(unir), de forma ousada, os esquecidos, os "invisíveis" do mercado.
Há momentos em que alguns diligentes mais parecem um Luis XIV, num absolutismo total no comando de suas entidades.
Eu vos desafio a construir uma instituição em rede, agregando vários e diversos setores, com câmeras setoriais, numa engenharia horizontalizada.
Ao vosso dispor para ajudar.
*Adeli Sell (foto) é professor, bacharel em Direito e vereador do PT da capital gaúcha.