Coluna Crítica & Autocrítica - nº 191
- O Boqueirão Online
- 11 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Por Júlio Garcia**
*Como se não bastasse tudo de ruim que tem acontecido em nosso país, especialmente no último período, recebemos esta semana mais notícias tristes: a morte (suicídio) do ator, cartunista e humorista Flávio Migliaccio - que deixou uma Carta onde explica, em parte, os motivos de sua dramática decisão: “Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é uma (…) como tudo aqui. A humanidade não deu certo. A impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este e com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje”.

*A outra grande perda foi de Aldir Blanc, um dos grandes nomes da música popular brasileira. Além de grande poeta e compositor (parceiro de João Bosco e imortalizado principalmente nas gravações da gaúcha Elis Regina, em particular durante o período da famigerada ditadura militar), é mais um guerreiro em defesa da democracia e da cidadania que se vai precocemente devido ao ataque do maldito vírus Covid-19 (a maioria já sabe - salvo alguns dementes e irresponsáveis - que não é apenas "uma gripezinha"). Estamos todxs de luto!
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*Sobre o recente depoimento no STF do ex-juizeco parcial, ex-ministro acovardado e ex-aliado de Bolsonaro: Moro amarelou de novo (sem surpresa!). Curta análise: “A montanha pariu um rato” (literalmente!).
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*“Reinado da Estupidez” - Sobre os sucessivos ataques e baixarias contra jornalistas (e outras categorias) realizados pelo impostor debiloide que hoje ocupa o Planalto, o FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – emitiu a seguinte Nota, que abaixo reproduzimos:
“Nenhum presidente [sic] vai calar a boca da imprensa!
Em mais uma demonstração do seu desprezo com a democracia e com a liberdade de imprensa, Jair Bolsonaro atacou o jornal Folha de S. Paulo e mandou os jornalistas calarem a boca na manhã desta terça-feira, 5 de maio, em frente ao Alvorada.
A agressividade do presidente, um dos mais autoritários que este país já teve, cresce na medida em que ele e sua família tornam-se alvo de denúncias e investigações, envolvendo ações ilegais como a organização e comando de um gabinete de ódio – responsável por disparar mensagens em massa de conteúdo mentiroso que contribuíram para a eleição de Bolsonaro e continuam em funcionamento para manter agregada a base de apoio bolsonarista. Além disso, há indícios de envolvimento da família com a milícia carioca e inclusive com o assassinato de Marielle Franco.
A medida que crescem as denúncias, Bolsonaro atua para blindar seus filhos e ele próprio. Estimula e participa de atos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, alimentando uma grave crise política e institucional. Tudo isso, durante a pandemia do Coronavírus, que já tem consequências profundas tanto na vida das pessoas, como na economia.
Os ataques violentos contra a imprensa ocorrem neste contexto. É uma tentativa desesperada de intimidar a imprensa livre e tentar acuar veículos e jornalistas para deixarem de noticiar os fatos envolvendo Bolsonaro, e de outro lado é uma forma de desqualificar o trabalho da imprensa e insuflar sua base de apoio a promover ataques a estes veículos. Governantes e autoridades de instituições de Estado que não respeitam a liberdade de imprensa, não estão à altura para ocuparem cargos públicos.
Governantes e autoridades de instituições do Estado que não se subordinam aos princípios e diretrizes fundamentais expressos na Constituição Federal deveriam ser imediatamente afastados. #ForaBolsonaro - #CalarJamais”
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**Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, Pós-Graduado em Direito do Estado, Consultor, dirigente político (PT) e Midioativista. Foi um dos fundadores do PT e da CUT. - Publicado originalmente no Jornal A Folha (do qual é Colunista) em 07/05/2020.