"Com essa política de cortes, vejo balbúrdia em um desgoverno de desinformados e mal intenciona

Por Simone Bochi Dorneles*
Motivada pelo momento trágico que o Brasil vive, onde domina a ignorância e a desinformação, vou relatar a minha trajetória nas universidades públicas e repletas de balbúrdias #sqn.
Entrei na UFSM por insistência sonhadora de minha mãe e de meu pai, dois trabalhadores de classe média baixa de Santiago.
Pela lei natural eu não teria oportunidade de ingressar na universidade pública, pois só os filhos de ricos, que estudavam em escolas privadas conseguiam. Mas eu tive bolsa de estudos e consegui estudar no Colégio Medianeira [Santiago/RS], sempre convivendo com os bem ricos e com outros colegas que, como eu, só estavam ali por causa das bolsas.
Com uma loja de confecções e tecidos criada a sangue e suor por minha mãe, as coisas melhoraram e eu e meus irmãos conseguimos até fazer cursinho pré-vestibular ( isso era privilégio para poucos). Ingressei na UFSM e tive excelentes professores e uma ótima formação...as balbúrdias??
Não lembro...mas me diverti muito no DCE, nos finais de semana. Quem não?? Depois foi em outra universidade pública que fiz meu mestrado, na UFSC. Fiz essa formação enquanto era professora da URI Santiago.
Na URI, eu vi jovens trabalhadores pagando para ter a sua formação com muito sacrifício. Jovens que trabalhavam de dia e estudavam à noite, sempre na esperança de melhorar de vida. Mais uma vez, tive a melhor formação, professores e professoras da melhor qualidade. Essa formação me permitiu aprovação no concurso do CEFET.
Logo após o meu ingresso na rede de educação profissional e tecnológica, surgiu a lei de criação dos Institutos Federais, ajudei na implementação do IFFAR.
No primeiro PDI, que tive o privilégio de coordenar, muitos sonhos foram compartilhados. Foram delineados os contornos dessa nova instituição que levou para o Interior dos estados a possibilidade de ensino superior gratuito e de qualidade e do ensino médio integrado à educação profissional.
Fiz doutorado em outra universidade pública -UFRGS. Não vi balbúrdia!! Vi trabalho sério e compromisso com o desenvolvimento regional e do Brasil. Trabalho com colegas que doam o melhor de si pela educação.
Vi muitas vidas de estudantes transformadas pela educação. Com essa política de cortes, vejo balbúrdia em um desgoverno de desinformados e mal intencionados, que querem entregar o nosso país de bandeja para ser colonizado e saqueado novamente!!!
*Professora/Doutora - Via Face


















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